Perguntas a fazer a uma imobiliária antes de anunciar a sua propriedade
Lista prática de perguntas a colocar a uma imobiliária antes de anunciar a sua propriedade rústica: experiência, divulgação, comissão, exclusividade e gestão das visitas.
Equipa editorial da Venta de Fincas
Equipa interna de redação da Venta de Fincas. Prepara e mantém os guias, as fichas de tipos de propriedade e as páginas de zona da plataforma. Não é um escritório profissional nem presta aconselhamento personalizado: os conteúdos de natureza fiscal, legal ou contratual assinados por esta equipa são redigidos com uma abordagem geral e ficam sujeitos a revisão por um profissional habilitado (notário, gestor ou advogado) antes de serem considerados definitivos.
Índice
- Por que vale a pena preparar estas perguntas com antecedência
- Perguntas sobre experiência e especialização
- Perguntas sobre divulgação e canais
- Perguntas sobre comissão e condições económicas
- Perguntas sobre exclusividade e duração do acordo
- Perguntas sobre visitas, consultas e comunicação
- O que fazer com as respostas obtidas
- Como formular estas perguntas sem que pareça desconfortável
- Perguntas adicionais consoante o tipo de propriedade
- Erros habituais ao colocar estas perguntas
- Perguntas sobre o fim do processo e a escritura
- Como usar esta lista de forma prática
Por que vale a pena preparar estas perguntas com antecedência
Chegar preparado à primeira conversa com uma imobiliária, com uma lista concreta de perguntas, ajuda a comparar várias opções com mais objetividade e evita que a decisão se baseie apenas na primeira impressão geral que cada agência deixa. Sem perguntas concretas e bem pensadas de antemão, é bastante fácil que a conversa fique pelas generalidades, sem fornecer informação realmente útil para decidir com critério.
Este guia reúne uma lista prática e organizada de perguntas agrupadas por blocos temáticos: experiência e especialização, divulgação, condições económicas, exclusividade e gestão do dia a dia do processo de venda. Não é necessário fazer todas as perguntas na primeira conversa, mas tê-las presentes ajuda a não esquecer nenhum aspeto importante antes de decidir com que agência trabalhar.
Convém anotar por escrito as respostas obtidas de cada agência contactada, para poder compará-las com calma mais tarde, em vez de depender apenas da memória ou de uma impressão geral pouco precisa que pode diluir-se facilmente com o passar dos dias entre uma conversa e a seguinte.
Perguntas sobre experiência e especialização
Que percentagem da sua atividade dedica especificamente a propriedades rústicas? Esta pergunta simples ajuda bastante a distinguir uma agência realmente especializada de uma agência generalista que apenas ocasionalmente aceita este tipo de encargos dentro de um catálogo muito mais amplo de habitação urbana ou de outro tipo de imóveis muito diferentes.
Quantas propriedades semelhantes à minha vendeu no último ano? Uma resposta concreta, com números aproximados e algum caso real que se possa comentar com algum detalhe, costuma ser bastante mais fiável do que uma simples afirmação genérica sobre experiência sem nenhum exemplo concreto que a respalde adequadamente.
Tem experiência com este tipo concreto de aproveitamento ou localização? Se a propriedade tiver características específicas — um uso pouco habitual, uma zona remota, uma área fora do comum —, convém confirmar que a experiência real da agência não se limita apenas a propriedades rústicas convencionais muito diferentes da sua em vários aspetos.
Perguntas sobre divulgação e canais
Em que canais vai publicar o anúncio da minha propriedade? Convém perceber bem se a agência usa canais específicos ou realmente especializados em propriedades rústicas, além dos portais generalistas mais habituais que usaria igualmente para qualquer outro tipo de imóvel diferente.
Tem uma base de contactos própria de compradores interessados em propriedades rústicas? Uma rede de contactos ativa e própria costuma ser uma das vantagens mais concretas que uma agência especializada pode oferecer face a publicar o anúncio sozinho sem qualquer apoio adicional.
Quem se vai encarregar de preparar as fotografias e a descrição do anúncio? Convém saber com clareza se a agência tem recursos próprios para esta tarefa concreta ou se, pelo contrário, espera que o proprietário forneça esse material já preparado desde o início do processo.
Como vai dar a conhecer a minha propriedade além da publicação online? Algumas agências complementam bem a divulgação digital com contactos diretos a compradores que já conhecem previamente, algo especialmente relevante num mercado com bastante menos volume de transações do que o da habitação urbana.
Perguntas sobre comissão e condições económicas
Que comissão aplica e sobre que valor se calcula? Convém perceber com precisão como se calcula a comissão antes de assinar qualquer coisa, já que as condições podem variar bastante de uma agência para outra (ver o guia sobre comissões de imobiliárias em propriedades rústicas para mais contexto geral sobre este aspeto, sem valores fixos porque cada acordo se negoceia de forma particular).
A comissão é negociável, e em que condições? Algumas agências têm alguma margem de negociação, especialmente em operações de maior valor; perguntar diretamente não tem qualquer custo e pode fornecer informação útil para comparar diferentes opções.
O que acontece se eu próprio encontrar um comprador por outro canal enquanto trabalhamos juntos? Esta pergunta é especialmente relevante se estiver a ser considerado um acordo de exclusividade, e convém ter a resposta clara por escrito antes de assinar qualquer compromisso com a agência.
Perguntas sobre exclusividade e duração do acordo
Propõe-me um acordo de exclusividade ou não exclusividade, e porquê? Convém perceber bem os argumentos da agência para recomendar um modelo ou outro, e confrontá-los com a informação geral sobre as diferenças entre ambos os modelos (ver o guia sobre exclusividade ou não exclusividade ao publicar com uma imobiliária).
Durante quanto tempo estaria em vigor o acordo? É bastante razoável pedir um prazo concreto e não um compromisso indefinido, bem como perceber com clareza que passos seguir se se quiser terminar o acordo antes de esse prazo inicial terminar.
O que acontece se eu não estiver satisfeito com o serviço antes de o prazo acordado terminar? Conhecer de antemão as condições de saída de um acordo, e não só as condições de entrada, ajuda a evitar situações desconfortáveis mais tarde se a relação com a agência não correr como esperado.
Perguntas sobre visitas, consultas e comunicação
Como vão ser filtradas e geridas as consultas recebidas? Convém perceber se a agência faz uma primeira triagem dos interessados antes de organizar uma visita, ou se transmite diretamente ao proprietário qualquer consulta recebida sem qualquer filtro prévio.
Vou estar presente nas visitas, ou a agência gere-as sozinha? Ambas as opções são habituais, e nenhuma é geralmente melhor, mas convém saber de antemão o que esperar e sentir-se confortável com a abordagem proposta pela agência.
Com que frequência me vai informar sobre o progresso do processo de venda? Combinar desde o início uma cadência de comunicação razoável — semanal, quinzenal, consoante haja novidades relevantes — evita depois a sensação de que o processo ficou parado sem qualquer explicação.
O que fazer com as respostas obtidas
Depois de colocadas estas perguntas a várias agências, convém comparar as respostas com calma, prestando atenção tanto ao conteúdo concreto de cada resposta como à atitude geral com que foram abordadas as perguntas mais incómodas, como as relativas a comissão ou a condições de saída do acordo.
É razoável desconfiar de respostas evasivas ou de promessas pouco concretas sobre prazos e resultados de venda, e valorizar positivamente a agência que responde com clareza, apresenta exemplos e não tem problema em explicar tanto o que pode oferecer como os limites reais do seu serviço no caso concreto da sua propriedade.
Por fim, convém pedir que as respostas mais importantes — comissão, exclusividade, duração do acordo — fiquem registadas por escrito antes de assinar, de forma a não dependerem apenas do que foi falado verbalmente durante a conversa inicial, o que facilita muito a resolução de qualquer mal-entendido que possa surgir mais tarde no processo.
Como formular estas perguntas sem que pareça desconfortável
Alguns proprietários sentem algum receio em colocar perguntas diretas sobre comissão, condições de saída ou resultados anteriores, com medo de que pareça descortês ou de que a agência interprete isso como desconfiança. No entanto, estas perguntas fazem parte normal de qualquer processo de contratação de um serviço profissional, e uma agência habituada a trabalhar com proprietários informados não deveria surpreender-se nem sentir-se desconfortável ao recebê-las.
Uma forma bastante simples de colocar estas perguntas sem que resultem bruscas é explicar brevemente, logo no início da conversa, que se está a comparar com calma várias opções antes de decidir, e que por isso se vão fazer exatamente as mesmas perguntas a todas as agências contactadas durante este processo. Esta breve explicação inicial normaliza bastante o processo e costuma facilitar muito que a conversa flua com mais naturalidade desde o primeiro momento, sem gerar qualquer sensação de interrogatório desnecessário.
Também ajuda colocar as perguntas de forma aberta, dando espaço para que a agência explique a sua forma de trabalhar com as suas próprias palavras, em vez de formular perguntas fechadas que apenas admitam um sim ou um não. As respostas mais extensas, matizadas e detalhadas costumam fornecer bastante mais informação útil na hora de avaliar com critério a seriedade e a experiência real de cada agência contactada durante este processo de comparação.
Perguntas adicionais consoante o tipo de propriedade
Se a propriedade tiver uso pecuário ativo, convém perguntar especificamente se a agência tem experiência a gerir este tipo de propriedade e como pretende apresentar esse aspeto concreto no anúncio, dado que requer uma abordagem diferente da de uma propriedade de cultivo ou de uso puramente florestal.
Se a propriedade tiver construções relevantes — habitação habitável, pavilhões, armazéns —, convém perguntar como vai a agência documentar e apresentar o estado legal dessas construções, especialmente se existir alguma dúvida sobre a sua situação urbanística que convenha esclarecer antes de publicar o anúncio.
Se a propriedade tiver algum uso ou arrendamento existente (ver o guia sobre vender uma propriedade com arrendamentos ou usos existentes), convém perguntar diretamente como pretende a agência comunicar esta circunstância aos compradores interessados, e se tem experiência prévia a gerir vendas com esta mesma particularidade.
Erros habituais ao colocar estas perguntas
Um erro bastante frequente é limitar-se a perguntar apenas pela comissão e não aprofundar o resto dos aspetos igualmente relevantes, como a experiência real da agência, os seus canais de divulgação concretos ou as condições detalhadas de um eventual acordo de exclusividade. Centrar toda a conversa apenas no custo do serviço deixa de fora informação que pode ser igual ou mais determinante para o resultado final da venda.
Outro erro bastante habitual é aceitar respostas vagas ou pouco concretas sem insistir em obter algo mais específico, por não querer parecer desconfiado perante a agência ou por simples desconforto face ao próprio processo de perguntar. Se uma resposta resultar pouco clara, é razoável pedir que se concretize um pouco mais, com um exemplo ou um número aproximado, antes de passar à pergunta seguinte da lista.
Também é um erro bastante habitual fazer estas perguntas apenas a uma única agência e não comparar de todo com nenhuma outra opção disponível, o que impede verificar se as respostas obtidas são razoáveis dentro do mercado local ou se, pelo contrário, se afastam bastante do que oferecem outras agências com perfis semelhantes na mesma zona geográfica.
Por último, convém evitar deixar passar demasiado tempo entre as diferentes conversas com cada agência, já que as respostas e a impressão geral tendem a esbater-se na memória se forem comparadas semanas depois, em vez de num prazo razoavelmente próximo entre si. Concentrar todas as conversas num período de uma ou duas semanas costuma facilitar bastante uma comparação mais justa e objetiva entre as diferentes agências contactadas durante esse processo.
Perguntas sobre o fim do processo e a escritura
Vai estar disponível para acompanhar o processo até à escritura final, ou o seu papel termina quando surge um comprador interessado? Algumas agências gerem apenas a parte comercial da venda e deixam ao proprietário a coordenação da fase final com notário e assessores, enquanto outras acompanham todo o processo até ao fecho, incluindo a coordenação com o notário escolhido e o acompanhamento das últimas formalidades. Convém saber de antemão que tipo de acompanhamento se pode esperar em cada uma das fases do processo, para não dar como garantido um nível de apoio que a agência na realidade não oferece.
Quem revê se o contrato-promessa e a documentação refletem corretamente o que foi negociado? Embora a revisão legal e fiscal caiba sempre a um notário, advogado ou contabilista certificado e nunca diretamente à imobiliária, é bastante útil saber de antemão se a agência colabora de alguma forma nesta fase final ou se, pelo contrário, a sua intervenção termina precisamente no momento em que se aceita uma proposta concreta.
O que acontece se a operação finalmente não se fechar por causas alheias à agência? Convém perceber de antemão se isso afeta de alguma forma a comissão acordada ou a vigência do acordo, para evitar surpresas se uma operação avançada acabar por não se concretizar por motivos que não dependem nem do proprietário nem da agência. Este tipo de imprevistos, embora pouco frequentes, podem ocorrer por problemas de financiamento do comprador ou por dúvidas de última hora, e convém saber de antemão como a agência os geriria caso viessem a ocorrer durante o processo.
Como usar esta lista de forma prática
Não é necessário memorizar todas estas perguntas nem colocá-las de forma mecânica pela mesma ordem em cada conversa. Pode ser mais natural levá-las anotadas e usá-las como guia de referência, deixando que a conversa flua de forma orgânica enquanto se verifica, no final, que foram cobertos os pontos mais importantes da lista.
Se alguma agência responder com especial detalhe a um bloco de perguntas enquanto se mostra mais sucinta noutro, pode ser útil aprofundar um pouco mais esse segundo bloco antes de passar à conversa seguinte, em vez de assumir diretamente que essa parte do seu serviço é menos sólida sem ter perguntado com detalhe suficiente. Por vezes, uma resposta breve reflete simplesmente que esse aspeto concreto não gera dúvidas nem complicações, e não necessariamente uma falta de preparação por parte da agência.
Guardar um breve resumo de cada conversa, com as respostas mais relevantes obtidas, facilita muito a comparação final entre as diferentes agências contactadas, especialmente se tiverem sido mantidas várias conversas num período de poucos dias e os detalhes começarem a misturar-se na memória. Um simples documento com uma linha por agência e uma coluna por cada bloco de perguntas costuma ser suficiente para tomar uma decisão final com critério, sem necessidade de nenhuma ferramenta mais complexa.
Pontos-chave
Prepare as suas perguntas antes da primeira conversa
Chegar com uma lista concreta ajuda a comparar agências com objetividade, sem depender apenas da primeira impressão.
Pergunte sobre comissão, exclusividade e condições de saída
São os aspetos económicos e contratuais mais importantes a esclarecer antes de assinar qualquer acordo.
Desconfie de respostas evasivas ou promessas sem fundamento
Uma agência séria responde com clareza, mesmo às perguntas mais incómodas sobre comissão ou resultados.
Peça que o importante fique registado por escrito
Comissão, exclusividade e duração do acordo não deveriam depender apenas do que foi falado verbalmente.
Perguntas frequentes
- É necessário fazer todas estas perguntas na primeira conversa?
- Não é imprescindível, mas tê-las presentes ajuda a não esquecer nenhum aspeto importante antes de decidir com que agência trabalhar. Pode distribuí-las por várias conversas se preferir.
- Que pergunta é mais importante para detetar uma agência pouco séria?
- Não há uma única pergunta decisiva, mas a forma como responde às perguntas sobre comissão e condições de saída do acordo costuma ser bastante reveladora do seu nível geral de transparência.
- Devo pedir as respostas por escrito?
- Sim, especialmente as relativas a comissão, exclusividade e duração do acordo. Tê-las por escrito evita depender apenas do que foi falado verbalmente e facilita resolver mal-entendidos posteriores.
- Posso fazer estas perguntas ainda que esteja apenas a explorar opções?
- Sim. Não é necessário estar decidido a contratar para colocar estas perguntas; de facto, fazê-lo numa fase exploratória ajuda precisamente a decidir com mais critério.
- O que faço se uma agência se mostrar desconfortável com estas perguntas?
- Pode ser um sinal a ter em conta. Uma agência séria não deveria mostrar-se desconfortável perante perguntas razoáveis sobre a sua experiência, as suas condições económicas ou o funcionamento do acordo.
- Quantas agências convém contactar antes de decidir?
- Não há um número fixo, mas comparar pelo menos duas ou três opções costuma trazer perspetiva suficiente para tomar uma decisão informada sem alongar demasiado o processo.
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